Uma análise geral sobre softwares jurídicos

Gustavo Rocha,  

14 de Abril de 2011

Post elaborado por Gustavo Rocha, advogado, consultor nas áreas de Gestão, Tecnologia e Qualidade e autor do blog Consultoria GestaoAdvBr:

Ao meu ver, algumas premissas são fundamentais antes de escolher o seu software jurídico:

1. Faça as perguntas: Onde, quando, o quê e quem?
2. Qual a gestão do escritório para o software?
3. Quem será responsável pelo software?
4. Qual a segurança do software?

Vamos analisar um a um dos requisitos mínimos:

1. Faça as perguntas: Onde, quando, o quê e quem?

Onde: Instalado no servidor do seu escritório ou na internet? Aqui vale uma boa reflexão: No seu escritório, quem cuida de toda manutenção (ampliação do servidor, máquinas novas, etc) é o escritório. Na web, o sistema é instalado num data center, quem cuida de tudo, inclusive do backup é a empresa de software. Ao meu ver, melhor com eles que são especialistas, do que com o escritório que ora faz backup, ora não, etc.

Quando: Qual o aporte (valor) que o escritório está disposto a investir? O escritório quer o bom e do melhor com preços baixos, certo? Errado. O melhor é o investimento feito dentro da disposição financeira do escritório em consonancia com a gestão do mesmo (próximo tópico). As vezes é melhor iniciar com um produto que satisfaz as principais necessidades – mesmo sendo menor – do que investir pesado em um produto que pode não estar adequado a realidade do negócio. O melhor software é aquele que serve ao bolso e ao resultado diante dos clientes, lembre-se disto.

O quê: Ou melhor, qual a minha necessidade efetiva para o software? Alguns pensam que o software irá resolver todos os seus problemas. Não é assim que funciona. Primeiramente é fundamental que os requisitos de o quê o software irá abranger seja estabelecido. O software irá controlar processos apenas? Irá incluir o financeiro? Quiçá os documentos do escritório? Talvez tudo isto junto? E que tal outra proposta? Um destes itens de cada vez? Nem Deus-Pai criou o mundo em apenas um dia. É, amigo leitor, planejamento é antes de tudo fundamental para o sucesso.

Quem: Se os requisitos acima foram respondidos, você já está apto a primeira fase de procura do software ideal  a sua realidade e poderá responder quem irá ser brindado pela sua aquisição.

2. Qual a gestão do escritório para o software?

Parece estranha a pergunta, não? Contudo, sua resposta é a base para qualquer implantação de software bem sucedida. Não é o software que determina a gestão do negócio, mas sim o escritório que dita como deverá ser controlado a si mesmo.

Não se iludam: Muitos vendedores dirão que o seu software resolve tudo. Falsa ilusão. Nenhum software consegue isto. Agora, se a gestão é iniciada no escritório, há determinações de funções e rotinas, bem como uma visão clara de como o software irá interagir com o escritório, o sucesso é garantido.
Faça primeiro a gestão do seu negócio. O software que se adaptar bem em cima disto, é o seu software ideal.

3. Quem será responsável pelo software?

Pode parecer estranho, mas é fundamental que uma pessoa do escritório (que conheça preferencialmente processo e goste de tecnologia) seja treinado adequadamente para gerenciar o software no escritório.

Por quê?

Porque precisar do suporte do software para resolver coisas simples do dia a dia pode ser um tormento. Normalmente na implantação do software uma pessoa ou algumas podem e devem receber treinamento mais específico de administração do software. Não adianta treinar uma secretária ou braço direito. Tem que ser alguém ligado ao direito e que goste efetivamente de tecnologia.

Planeje esta realidade dentro da gestão do seu negócio.

4. Qual a segurança do software?

Antes de contratar, questione alguns pontos básicos:

  • Aonde está instalado o servidor do data center;
  • Quais os requisitos de segurança que ele tem (backup espelhado, backup externo, etc);
  • Quais os requisitos que o escritório precisa ter para acessar este data center;
  • Em caso de rescisão do contrato, como serão devolvidos os dados do escritório?

Entre outras perguntas. Ter segurança no que se contrata é o mínimo.

Agora, não pense que isto somente vale para softwares data center. Se o seu software for instalado no escritório, as perguntas similares são válidas:

  • Como será feito o backup? (onde, periodicidade, etc)
  • Haverá backup externo?
  • Quais requisitos (inclusive licenças de software) para instalação?
  • Quanto deverá ser investido para ter tudo funcionando?

A questão fundamental é: tanto em data center como em servidor interno, segurança é fundamental.

Enfim,

Muitas informações para esclarecer um pouco sobre o que devemos pensar antes de adquirir um software.

Abaixo relaciono dicas de utilização. Servem para qualquer software:

  • Sempre antes de cadastrar um cliente no sistema, pesquisar se ele já não foi cadastrado.
  • Não usar tudo maiúsculo, optar por maiúsculo e minúsculo.
  • Tentar o máximo de informações para o cadastro. Quanto mais dados e informações melhor.
  • Não usar acentos.
  • Cuidar sempre o português do cadastro e frases de concordância.
  • Peças a serem anexadas no sistema serão em formato word ou pdf?
  • Deve haver um prazo para troca da senha do sistema.
  • Sugestão de login: email do escritório,
  • Sugestão de senha: Pelo menos 6 caracteres, entre letras e números e um carácter especial tipo # ou @
  • Tudo que for relativo a prazo, compromisso, etc deve estar na agenda. Devemos separar a agenda por tipos (compromisso, prazo, diligência, pendencia, audiência, particular, etc) visando termos filtros fáceis e diretos.
  • Sistemas web somente salvam se clicar no item salvar. Não existe salvamento automático!
  • Tudo que for lançado no sistema deve ter um propósito para fins de relatório futuro. Lançar apenas por lançar é perder a informação.
  • Cuidado a selecionar algo, sempre selecione na caixa de seleção e depois clique fora da caixa, senão ao rolar o mouse ou teclado poderá mudar o que está na caixa de seleção do sistema.
  • Internet é fundamental em termos de sistemas jurídicos e processo eletronico. Sem uma segunda internet no escritório (contingência), seja ela adsl ou pen modem, você está em risco.
  • Normalmente há diversas formas de salvar documentos em cada software. Use a especificada pelo desenvolvedor. Salvar petições no financeiro, por exemplo, de nada resolverá ao propósito. Salve no local adequado.
  • Muitos softwares hoje geram documentos automaticamente. Aprenda a usar este recurso e confira os dados após a elaboração do documento antes de imprimir.
  • Use o software diariamente. Esteja com ele sempre aberto e lance o máximo possível de informação.
  • Cada usuário possui uma permissão de acesso no sistema. Se não abrir algo, não se desespere, primeiro verifique com o administrador do software interno (pessoa do escritório mais preparada/treinada no software) se não é um requisito de licença de uso apenas.
  • O suporte do software deve ser eficiente. Algumas empresas cobram por isto. Bom ficar atento a esta realidade.

Gestão, o Adjetivo da Advocacia

Gustavo Rocha,  

11 de Março de 2011

Post elaborado por Gustavo Rocha, advogado, consultor nas áreas de Gestão, Tecnologia e Qualidade e autor do blog Consultoria GestaoAdvBr:

Muito se fala em gestão de escritórios jurídicos, em como eles precisam se organizar, estarem preparados para o mercado atual, etc.

Gestão é um termo muito amplo, verdadeiro e assertivo. Contudo, gestão não é a resposta para tudo.

A gestão na advocacia é como um adjetivo, necessita de um sujeito e um verbo para existir.

Como assim?

Sujeito

De que adianta falar em gestão, em padronização de procedimentos, em análise de resultados, se quem comanda o escritório não está fazendo o seu dever de casa?

A direção do negócio tem que ser a primeira a estar envolvida com o processo de mudança do escritório. Ela será o motivacional para toda equipe encarar as mudanças com seriedade, respeito e vontade.

Fazer gestão significa analisar os procedimentos internos, fazer uma crítica em cima dos procedimentos e aplicar as mudanças necessárias para o crescimento do negócio.

Para tanto, é fundamental e imprescindível a presença dos sócios neste processo. Podem ser delegadas as tarefas administrativas, entretanto, as de cunho estratégico tem que ser definidas por aqueles que pensam a empresa e assumem o seu risco, ou seja, os sócios.

Por lógico, uma andorinha não faz o verão. Todos os colaboradores devem participar, auxiliar, estar conectados com o negócio e o seu projeto.

Mais uma vez para isto, o sujeito (líder, sócio, administrador) deve estar presente e ser constante, transformando o planejamento em algo real e palpável.

Verbo

Neste sentido, se tivermos sujeitos (pessoas dispostas a encarar o projeto de mudança), estamos com o primeiro passo dado. Porém, sem uma ação concreta (verbo), não haverá nenhuma modificação. Já diz a lei da física que se algo está em inércia, tende a ficar em inércia se algo não modificar seu estado.

Assim, qual(is) ação(ões) você está fazendo neste momento para o seu negócio? Pelo menos temos que pensar nesta ações:

  • Investir em Marketing Jurídico;
  • Investir em Redes Sociais;
  • Investir em software adequado.

Quer dizer, temos estar conectados ao mercado de hoje (marketing jurídico) ao mercado de hoje e de futuro (redes sociais), bem como com a tecnologia como fator preponderante para alavancar o negócio (produzir mais com o mesmo número de pessoas, agregando informações estratégicas e relacionais). Não basta ter sujeito. Temos que ter e ser o verbo da mudança.

Adjetivo

O adjetivo em uma frase é o que a qualifica, o que a embeleza, o que  diz algo a mais.

A gestão se encaixa perfeitamente nisto. Primeiro, porque não tem como existir gestão sem um sujeito e verbo antes. Segundo, porque mesmo um escritório movido por pessoas motivadas e líderes de si com uma ação efetiva na advocacia, sem a gestão, está fadada a ficar estagnada no mercado atual.

Tendo gestão, o escritório tem um fator que agrega qualidade. Consegue estar presente no mercado com eficiência e eficácia.

O mercado não aguarda os escritórios se adaptarem a gestão. Ele contrata aqueles que tem gestão.

Como está o seu escritório nisto?

Tem sujeitos ativos e líderes de si?

Tem ações efetivas focadas em resultados estratégicos?

A gestão está sendo utilizada como qualidade para o seu escritório?

O adjetivo da gestão é mais do que um qualitativo, é um diferencial forte de mercado.

Enfim,

Em bom português, a gestão somente poderá acontecer como o adjetivo da sentença: com um sujeito ativo e verbo executor para trilhar um caminho de sucesso, com mais qualidade de trabalho, padronização, organização e resultados sustentáveis para o negócio.

Existe um software jurídico ideal?

Gustavo Rocha,  

24 de Fevereiro de 2011

Post elaborado por Gustavo Rocha, advogado, consultor nas áreas de Gestão, Tecnologia e Qualidade e autor do blog Consultoria GestaoAdvBr:

Quando fazem esta pergunta, todos se questionam o mesmo: querem um software completo, que faça mais do que controlar processos, que organize o escritório, faça gestão, esteja totalmente preparado para o processo eletronico, enfim, que salve o escritório do caos.

Ledo engano.

Antes de qualquer software poder auxiliar o seu escritório em soluções de gestão, há a necessidade de gestão do seu negócio.

Como assim?

Qualquer software possui inúmeras qualidades, principalmente de gerenciar informações, oferecer respostas rápidas (desde que bem cadastrado), extrair relatórios, etc. Todavia, para um escorreito funcionamento, temos que ter em mente que os dados (informações) a serem cadastradas precisam ter uma lógica, um padrão.

Para se chegar a este padrão de cadastramento, precisamos conhecer o software antes de implementá-lo, suas funcionalidades, possibilidades e custos reais de implantação para fazer uma análise de custo versus benefício.

Alguns mitos que existem em relação a softwares jurídicos:

Software completo

Todos os representantes dizem que seus softwares são os mais completos do mercado, que fazem tudo que um escritório precisa. O que ninguém conta é que o software faz tudo que foi programado para fazer e sem uma análise profunda, não há como saber se um determinado produto é ou não adequado a sua realidade.

O software pode ter inúmeros recursos, que de nada adiantarão se você não souber usá-los e/ou eles não forem necessários ao seu negócio.

Antes de adquirir um software faça as seguintes perguntas:

Qual a minha área de atuação?

  • Dentro da minha área, quais as necessidades de informação que serão úteis aos meus clientes?
  • Tenho como cadastrar e acessar estas informações cadastradas em qualquer lugar ( inclusive num celular)?
  • O software gerenciará quais áreas do negócio (processos, finanças, gestão eletronica de documentos, etc)?
  • Posso investir no produto ideal agora ou tenho outras prioridades?

Enfim, antes do software, pense muito mesmo em gestão.

Controle de processos versus controle do escritório

Temos uma grande confusão neste tópico. Muitos pensam que ao controlar processos estarão controlando seu escritório. Um engano perigoso.

Na profissão de advogado, controlar processos faz parte. Isto mesmo, apenas uma parte. O advogado pode e deve ser parte de negócios de seus clientes, deve auxiliar nas tomadas de decisão, agir preventivamente. A parte processual é necessária, mas não a única que ele tem como objetivo para o seu trabalho.

Se não é o seu único escopo, porque transformar o seu escritório apenas num controle de processos?

Não! Temos que gerenciar o financeiro (contas a pagar, contas a receber, fluxo de caixa, centros de custo, etc), a gestão eletronica de documentos (digitalizar tudo, desde contratos, contas, peças processuais, etc), relacionamento com o cliente ou prospects (gerenciar a comunicação com os clientes ou prospects do escritório), entre outros.

Se você acha que nenhum software jurídico faz isto, está por fora. Muitos no mercado já estão preparados para auxiliar o seu escritório na gestão dele de maneira geral e não apenas processual.

Não se iluda apenas no controle processual, afinal, gestão tem que ser completa para ser eficiente.

Implementação do software

Neste quesito muitos escritórios perdem dinheiro. Justamente por pensarem que ao comprarem um software terão todos os seus problemas resolvidos, eles deixam na mão de pessoas que implementam o software decisões fundamentais do seu negócio.

Não faço nenhum desmerecimento aos consultores e profissionais de TI que implementam software, todavia, pouquíssimos se preocupam efetivamente com a gestão do negócio. Sua real preocupação é com o sucesso da implementação, ou seja, se todas as funcionalidades do seu produto estarão prontas para o escritório. Como o escritório irá usar a informação e gerenciar a si mesmo, não é seu problema.

Este é o grande problema, na verdade. Antes de implementar qualquer software há uma necessidade enorme de gestão. Precisamos conhecer as rotinas, verificar se elas estão adequadas a realidade do escritório hoje a sua realidade daqui a um ano. Precisamos conhecer o software para pensar nos controles que ele tem e como ele poderá auxiliar na gestão do negócio. Depois disto construído, o pessoal de implementação vem treinar, implementar os relatórios e controles conforme a gestão já determinou e assim por diante.

Em bom português: O software vai trabalhar para o escritório e como o escritório quer o controle, e não o mesmo determinado o que pode ou não ser feito. Lembre-se: Você está pagando. Você manda no que quer no produto ou não.

Preparação para processo eletrônico

Já vi representantes de software alardearem no mercado que seus produtos estão adequados ao processo eletronico. Bobagem. Hoje, nenhum software jurídico está completamente preparado para o processo virtual. Uma razão é preponderante para isto: Todo o cerne do judiciário brasileiro é lastreado através das notas de expediente. Como no processo eletronico não há intimação através do diário oficial, porque o advogado se intima dentro do processo eletronico, o software não tem como adivinhar onde o advogado se intimou (qual processo, que dia, etc).

Diante disto, a palavra gestão é primordial: É fundamental que se crie procedimentos internos de intimações no processo eletronico e lançamentos no software de gestão do escritório para que o controle possa ser único e sempre disponível. Ter planilhas no Excel, mais alguns arquivos no Word e um software para quando alguém lhe pergunta de um processo ter que procurar em três lugares diferentes é um absurdo e um contrasenso em termos de gestão.

Quer se preparar para o processo virtual? Veja se o seu software é simples no agendamento de compromissos e prazos, bem como se ele tem um módulo de Gestão Eletronica de Documentos, o famoso GED. Estes passos já dão o início de que com gestão aplicada as rotinas do negócio, há possibilidade de gerenciar o processo eletronico.

Ser ou não ser pela Internet (software web)

Algumas pessoas tem medo, outras preconceito, outras falta de conhecimento sobre software pela Internet. Minha posição é totalmente a favor. Eles tem mais benefícios que prejuízos (se é que existem) ao meu ver.

Podem ser acessados de qualquer lugar, até de um celular. Informações, peças processuais, sentenças, tudo ao alcance de uma lan house. Segurança? Muita. Eles investem pesado para ter segurança das informações. Aliás, investem muito mais que qualquer escritório iria investir, pois o negócio deles é tecnologia e do escritório jurídico, advocacia. Cada um sabe bem o que faz.

Neste ponto penso que o fundamental é sentir-se seguro em relação a decisão. Analise suas necessidades, pense e pesquise a respeito. Melhor um software não web mas usado por todos, do que um web que ninguém usa por medo.

Enfim,

Existe um software jurídico ideal? Claro que sim. Mas, não depende do software, depende exclusivamente de você.

Modelos de Quantificação de Honorários

Nuno B. M. Lumbrales,  

8 de Fevereiro de 2011

Post elaborado por Nuno B.M. Lumbrales, advogado, sócio da Lumbrales & Associados e utilizador do LawRD:

Uma das questões que, se deficientemente conduzida, maiores melindres pode causar na relação entre um advogado e um cliente é a forma como os honorários do primeiro são negociados, quantificados e cobrados.

Há inúmeras formas de fixar e de proceder ao cálculo dos honorários do advogado, à semelhança do que sucede com o preço de qualquer prestação de serviços, sem prejuízo, naturalmente, das especificidades próprias a que os honorários dos causídicos estão sujeitos por força das regras deontológicas que, em cada país, regulam a prática da advocacia.

Um dos modelos mais frequentes, porém já um pouco a «passar de moda», é o da fixação de um valor por cada hora de trabalho despendida pelo advogado nos assuntos do seu cliente.

Este modelo tem como principal vantagem o facto de ser flexível, permitindo manter o equilíbrio económico entre os serviços prestados pelo advogado e a respectiva remuneração por parte do cliente independentemente das oscilações que, inevitavelmente, o volume de trabalho em causa irá sofrer ao longo do tempo.

A sua principal desvantagem consiste no facto de ser difícil ao cliente prever o montante dos honorários correspondentes a cada período de facturação acordado com o advogado (quando exista um período acordado), o lhe cria alguma insegurança ao nível da previsibilidade dos custos.

É no entanto possível ao cliente controlar fundamentação da quantificação dos honorários do advogado, desde que este, na facturação, inclua (como se impõe) a especificação de cada tarefa efectuada e do tempo em cada uma delas despendido. Este controlo não é, naturalmente, absolutamente rigoroso, mas permite impedir que eventuais abusos atinjam níveis substanciais.

Outro modelo, até mais clássico, é o do preço fixo, que pode ser determinado para um certo processo ou assunto (ajuste prévio de honorários) ou para um determinado ciclo de facturação (avença).

Este modelo é absolutamente claro e tem como principal vantagem a de eliminar à partida a quase totalidade da margem para discussão ou litígio sobre a quantificação dos honorários (mas não, claro está, sobre outras questões como a qualidade do trabalho desenvolvido pelo advogado, etc.), e como principal desvantagem o facto de não constituir uma solução flexível em função das variações do volume de trabalho. Pode por isso gerar situações injustas, caso o volume de trabalho venha a verificar-se, ao longo do tempo, consistentemente maior ou menor do que o inicialmente previsto pelas partes.

Outra forma de quantificar honorários consiste na fixação de uma percentagem dos resultados obtidos pelo cliente com o trabalho do advogado, geralmente no âmbito de um ou mais processos judiciais.

Em muitos países, esta forma de quantificação de honorários é proibida na sua forma pura, por se entender que fazer a remuneração do advogado depender totalmente do sucesso da causa em Tribunal faz com que o mesmo tenha um interesse demasiado directo na causa em apreço, comprometendo a sua objectividade, isenção e independência face aos interesses do cliente. No entanto, é admitida a sua combinação com outras formas de quantificação de honorários.

Estas e outras formas de quantificação de honorários podem pois ser utilizadas nos seus modelos puros ou combinadas, de forma a criar modelos ecléticos e, em alguns casos, mais equilibrados.

A questão fundamental subjacente à escolha do modelo de quantificação dos honorários corresponde ao de uma justa quantificação dos custos suportados pelo cliente, em função do volume e do tipo de trabalho desenvolvido pelo advogado em sua representação, e dos resultados alcançados.

Dez Maneiras de Conquistar Clientes

Gustavo Rocha,  

11 de Janeiro de 2011

Post elaborado por Gustavo Rocha, advogado, consultor nas áreas de Gestão, Tecnologia e Qualidade e autor do blog Consultoria GestaoAdvBr:

Um interessante artigo publicado no portal do David Lorenzo com o título de 10 maneiras de atrair mais clientes. Leia o artigo aqui.

Colaciono as 10 maneiras que ele propõe com meus comentários.

  • Seja Simpático: Ou seja, procure ser atencioso, gentil, afável. Atraímos aquilo que exalamos nos póros, ou seja, atraímos clientes que se identificam conosco. É fundamental, portanto, que a cordialidade e simpatia sejam nossos elementos de negócio.
  • Pense no outro: Não basta que o negócio seja bom para você. O negócio tem que ser bom para ambas as partes. Assim, ao pensar em quais as vantagens que o cliente terá ao lhe contratar, você estará agregando valor a sua proposta.
  • Não minta: Clientes querem profissionais ligados a ética, coerência e verdade. Mentir não leva a lugar nenhum. Mantenha seu site, informativo, blog e redes sociais com as verdades do teu negócio. Isto fará toda a diferença.
  • Esteja bem vestido: Clientes são atraídos por pessoas bem vestidas, que representem bem a si mesmos. Não basta ser, tem que aparentar ser também.
  • Seja verdadeiro: Se preocupe em ver se o cliente está bem, seus familiares, empresa, etc. Todos queremos ser bem tratados e queremos alguém que se interesse por nós.
  • Escute: Temos duas orelhas e uma boca, use nesta proporção. Todos queremos ser ouvidos, todos queremos falar, mas a sabedoria consiste mais em ouvir do que falar, principalmente em termos da relação cliente x contratado.
  • Estabeleça similitudes: O cliente deve identificar em você pontos de convergência, seja futebol, seja amizades, seja pontos de vista. Somos seres humanos, nos relacionamos por pontos de igualdade.
  • Seja humilde: Nada de brigar por dinheiro ou querer vencer uma discussão. Deixe claro teus pontos de vista, mas recue diante da briga.
  • Aparente ocupado: Não dê a impressão que o cliente é o único cliente. Todos gostam de se sentir especiais e o fato do cliente achar que ele é o único, faz ele duvidar da sua capacidade. Demonstre o trabalho efetivo que dá um processo e jamais diga: Não te preocupe, isto é facílimo… Se é tão fácil, porque pagar para isto?
  • Seja fácil de abordar: Ou seja, responda as perguntas que lhe fizerem. O cliente busca uma informação, dê a informação. Lembre-se que uma informação vazia, sem o como fazer, é apenas uma informação.

São dicas simples, de senso comum, contudo, se aplicadas no dia a dia do escritório podem se traduzir em maior rentabilidade.

Pense e aplique!

Mudanças, metas e organização do negócio

Gustavo Rocha,  

22 de Outubro de 2010

Post elaborado por Gustavo Rocha, advogado, consultor nas áreas de Gestão, Tecnologia e Qualidade e autor do blog Consultoria GestaoAdvBr:

“Antes de iniciar um programa de mudanças, os líderes devem reafirmar metas e propósitos da organização.” (Kaplan).

Esta frase nos remete a três aspectos fundamentais em relação as empresas:

1. Metas;
2. Propósitos;
3. Mudança em si.

Vamos analisar os três pontos um a um para elucidar a questão.

Metas

Quais são as metas da sua empresa? Ser a maior em cinco anos!? Ter o melhor time de profissionais em 2 anos!? Prestar serviços com excelência!? Palavras, ah! Palavras…

Ter metas não significa apenas colocar palavras bonitas num quadro ou querer que as pessoas sigam objetivos inalcançáveis ou sem planejamento.

Ter metas significa colocar objetivos práticos em curto, médio e longo prazo. Objetivos reais, palpáveis. Nada de em um mês ter captado 5 clientes e colocar uma meta de 10 para o Segundo mês. Ninguém dobra a produção em tão pouco tempo. Temos que ser realistas.

Metas devem ser próximas daquilo que se consegue com um pouco a mais, para servir de estímulo a conquista da meta.

Se os líderes devem reafirmar as metas da empresa, como faze-lo se não há uma definição clara da própria empresa em relação a isto?

Propósitos

Quais são os propósitos da sua empresa? Crescer!? Ser sustentável!? Ganhar dinheiro!?

Não podemos fazer dos propósitos/objetivos os resultados!!!

Os propósitos são as finalidades pelas quais a empresa luta, os ideais que movem a empresa. Não são palavras frias, mas sim sentimentos e realizações objetivas.

Sem propósitos, a empresa está fadada ao insucesso.

A mudança em si

Se as metas forem atingíveis e os propósitos uma base sólida para o líder, este poderá realmente atingir mudanças na empresa, bastando para isto mostrar o caminho.

Já disse Marechal Osório: “É fácil comandar homens livres, basta mostrar-lhes o caminho do dever.”

Queremos que as mudanças sejam um sucesso? Vamos aprimorar nossas metas, valorar nossos propósitos e vamos aplicar a mudança com raízes profundas e verdades trabalhadas com a razão e o sentimento em total sintonia.

Gestão de Tempo: 3 Conselhos Práticos

Nuno B. M. Lumbrales,  

18 de Junho de 2010

Post elaborado por Nuno B.M. Lumbrales, advogado, sócio da Lumbrales & Associados e utilizador do LawRD:

Gestão de tempo, e concretamente do tempo despendido por cada pessoa numa determinada tarefa, é um elemento chave para a gestão de qualquer empresa, pois constitui um índice medidor do esforço exigido à organização (designadamente aos respectivos recursos humanos, que costumam ser vistos, e bem, como um custo fixo ou geral, e não um custo específico de um determinado cliente ou projecto) na realização de cada uma das suas tarefas.

A gestão de tempo permite, assim, identificar desperdícios, ineficiências logísticas e outros obstáculos que dificultam a produção e diminuem significativamente o seu ritmo, prejudicando os resultados operacionais da empresa.

Se este assunto é importante para a gestão de qualquer empresa, muito mais o é para a gestão daquelas que se dedicam a actividades que, como a advocacia e a consultoria em geral, muitas vezes se organizam com base em modelos de custo/hora e preço/hora, cujo sucesso está directamente dependente da optimização da utilização do tempo de cada colaborador, com reflexos directos na facturação.

Quanto a esta matéria, três conselhos muito práticos:

  • Procurar limitar ao mínimo as interrupções, que são sempre demasiadas (por exemplo, aquele e-mail que acabou de chegar é assim mesmo tão urgente, ao ponto de alterar o seu plano de trabalho e adiar, uma vez mais, outras tarefas que já estão por executar há mais tempo, e que assim vão continuar por fazer, e acabar por se tornar verdadeiramente urgentes apenas por  terem passado a estar em atraso?).
  • Não empenhar demasiado tempo em tarefas de retorno duvidoso (fará sentido sentir-se obrigado a marcar presença em todas as conferências sobre determinado tema, quando da maior parte delas  delas não resulta nenhum benefício efectivo? Provavelmente, faz mais sentido comparecer apenas quando efectivamente se tem disponibilidade para «perder» aquelas horas preciosas, que podem fazer toda a diferença quando se está assoberbado de trabalho).
  • Não banalizar a classificação «URGENTE» (se tudo é urgente, nada acaba por ser tratado como tal, e perde-se a noção das prioridades com prejuízos evidentes para a organização e qualidade do trabalho. Tente perceber quando é que o cliente necessita efectivamente do trabalho feito e «negociar» com ele o prazo de entrega. A maior parte dos clientes perceberá que só têm a ganhar com uma melhor e mais cuidada execução do trabalho, desde que confie que o prazo estabelecido será respeitado).

Indicação ou Redes Sociais?

Gustavo Rocha,  

8 de Junho de 2010

Post elaborado por Gustavo Rocha, advogado, consultor nas áreas de Gestão, Tecnologia e Qualidade e autor do blog Consultoria GestaoAdvBr:

Durante muitos e muitos anos a indicação de outros clientes sempre foi o melhor meio de obter novos clientes. Hoje, com o advento das redes sociais, temos as redes sociais como uma forma de indicação, interatividade e obtenção de novos clientes.

Será?

As redes sociais são uma excelente forma de conseguir novos contatos, seguidores para aquilo que pensamos, contudo, é apenas uma forma, um meio, não a razão, cerne da contratação.

A indicação nasce do bom trabalho, do bom atendimento, do preço justo, serviço perfeito, tudo justo e perfeito. Com estes adjetivos, o cliente do teu negócio está apto a poder indicar teu serviço para outra pessoa.

Além de termos um bom trabalho, atendimento, preço, etc, precisamos divulgar isto, ou seja, temos que pensar em marketing.

Como dar publicidade? Existem “n” maneiras! Algumas lícitas perante o código de ética do advogado, outras não. Agora, apenas divulgar não é o foco. A informação divulgada deve estar acompanhada da credibilidade. Credibilidade adquirimos com posicionamentos que refletem o trabalho, ou seja, se falamos sobre o direito do trabalho - reclamante, devemos falar sobre isto, dar dicas, etc. Apenas isto? Claro que não! Precisamos ter ações reais e efetivas em prol do direito dos reclamantes, como apoiar ou participar de sindicatos, estar a frente de movimentos de interatividade com este público alvo.

E como se constrói isto hoje em dia?

Através das redes sociais.

Não se iluda. As gerações mais novas estão até conversando apenas pelas redes sociais. Ignorar isto é deixar o escritório com data de término.

Então, o que vale mais: Indicação ou redes sociais? Indicação com credibilidade, inclusive através das redes sociais.

Marca na Internet

Gustavo Rocha,  

14 de Abril de 2010

Post elaborado por Gustavo Rocha, advogado, consultor nas áreas de Gestão, Tecnologia e Qualidade e autor do blog Consultoria GestaoAdvBr:

Saiu uma pesquisa informando que até ano de 2009 temos registados na Internet mais de 192 milhões de domínios.

O que isto significa? Em bom português: Que a sua marca depende de você mesmo agora.

Estamos num caminho sem volta: Internet, redes sociais, contatos, relacionamentos, negócios. Decorrência lógica das atitudes de cada um em relação a estes assuntos.

Quando pensamos em domínio na Internet, muitos registam o .com.br ou este e mais o .com, mesmo sendo um escritório de advocacia, por exemplo. É comum termos dois escritórios diferentes com o mesmo nome, mas com domínios diversos, tipo, um registra xxx.com.br e outro registra xxx.adv.br.

Este cuidado básico de registar o seu nome, sua marca nos principais domínios relacionados ao seu negócio é fundamental. A gestão da marca on line não pode ser relegada a segundo plano.

Além da questão dos domínios, é fundamental que a empresa acompanhe o que está sendo dito a seu respeito na Internet. Monitorar o seu nome pode ser um excelente indicador de novos contatos, satisfação ou não dos clientes, além de difundir mais e mais no inconsciente popular o seu nome.

Como assim?

Se pesquiso no google o meu nome e percebo que tenho poucos links, posso escrever mais na internet, participar de redes sociais, participar de grupos on line nas minhas áreas de interesse, ou seja, posso ampliar minha presença on line. Fazendo isto  e utilizando um básico de marca, tipo sempre na assinatura dos emails colocar meus contatos, nome, nome do escritório, etc, estou posicionando minha marca cada vez melhor.

Se participo de discussões on line estou oportunizando as pessoas a conhecerem melhor o meu trabalho e assim poderem me citar como referência num determinado assunto.

Se participo das redes sociais construo relacionamentos virtuais que um dia podem ser reais, além de estar posicionando cada vez mais a minha marca na internet.

Então, não fique sentado lendo. Tome uma atitude! Inicie assim:

  • Verifique seu domínio atual e quais outros você tem. Registre aqueles que são afetos ao seu trabalho, além do .com.br, tipo, adv.br, adm.br, assim por diante.
  • Participe de grupos on line nas áreas dos teus clientes e aprenda com eles o negócio do cliente.
  • Participe de redes sociais e interaja com as pessoas.

Enfim … seja, esteja e permaneça on line. Sua marca precisa disto para sobreviver e perpetuar.

Planejamento de Marketing

Gustavo Rocha,  

9 de Março de 2010

Post elaborado por Gustavo Rocha, advogado, consultor nas áreas de Gestão, Tecnologia e Qualidade e autor do blog Consultoria GestaoAdvBr:

Quando pensamos em uma ação de marketing temos que ter em mente algumas premissas básicas para que esta atitude não seja um desperdício.

Três atitudes considero elementares:

  • Quem?
  • O quê?
  • Como?

Em bom português:

  • Quem é o seu público alvo?
  • O que você pode fazer por ele?
  • Como chegar até ele?

Não basta dizer que o seu negócio pode fazer tudo pelo cliente. Isto é impossível. Você precisa focar em um determinado público alvo.

Não se pode dizer que atende bem um empresário e o consumidor ao mesmo tempo.

Pense naquilo que você faz que poucos ou ninguém faz. Não vale dizer que você é honesto. Isto é o básico. Você deve ter um produto, um diferencial que seja palpável. Não precisa ser necessariamente o preço, pode ser um atendimento personalizado, um contato importante que resolve as coisas em menos tempo, enfim, algo que você possa fazer ao cliente que o seu concorrente nem sempre possa ou faz.

E muito importante: Como atingir este público alvo? Que ações podem ser tomadas? Ações práticas: Blog, site, jornais, entrevistas, ligações, etc.

Tudo depende do seu público alvo, do seu negócio, da sua visão de mercado.

Mas, todas as decisões passam por estes três filtros.

Pense nisto e mãos a obra!

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